Jovens recorrem ao ensino técnico e superior para seguirem uma carreira

Pandemia, entretanto, dificultou o acesso desse público aos estudos: pesquisa revela que inscrições em universidades caíram pela metade no período de um ano

O caminho de um bom emprego passa, primeiro, pela formação educacional. É isso o que aponta uma pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem (Senai), que revelou que 76% dos jovens acreditam que a educação profissionalizante é uma importante via de acesso ao primeiro emprego.

Além disso, jovens de 18 a 27 anos com formação de ensino técnico têm mais chances de alcançarem um emprego formal e mais oportunidades de evoluírem na carreira, do que aqueles que concluíram apenas o ensino médio. Os dados são do estudo realizado pela Fundação Roberto Marinho em parceria com o Itaú Educação e o Trabalho e Arymax.

Se depender do estudante Gabriel Assis, de 17 anos, o trabalho já está garantido. Isso porque o jovem, que está no 3º ano do ensino fundamental, ingressou, em 2022, em um curso técnico de informática para web, no qual ele aprende programação. “Ingressei no curso justamente para ter mais oportunidades de emprego”, comenta o jovem.

Há muitas instituições que ofertam formação técnica ou profissional gratuita. O governo federal oferece variados cursos dentro do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, o Pronatec. Já o SENAC, por meio do Programa Senac de Gratuidade (PSG), disponibiliza cursos sem custo, feitos por meio do ensino a distância. 

Ensino superior 

Ter acesso ao ensino superior representa o “segundo passo” na formação profissional para especialização na carreira. Entretanto, o número de brasileiros que chega à universidade ainda é abaixo do esperado: apenas 18% dos estudantes com idades de 18 a 24 anos estão matriculados em uma instituição de ensino superior. 

A pandemia agravou ainda mais esse cenário. De 2019 para 2020, o total de matrículas cresceu 0,9%, de acordo com a edição mais recente do Mapa do Ensino Superior no Brasil. Isso representa uma queda de 50% em comparação ao período anterior, quando as matrículas aumentaram em 1,8%.

A estudante Júlia Coutinho, de 18 anos, ingressou na faculdade na pandemia. Cursando o segundo período, ela conseguiu uma vaga na universidade por meio de uma bolsa de 50% por meio do ProUni. Júlia, que escolheu o curso porque sempre gostou “muito de conversar com outras pessoas, de ouvir e aconselhar e de ajudar os outros”, diz que pretende se especializar após a conclusão da graduação.

“Eu pretendo fazer especializações na área, como pós-graduação etc”, diz. Isso porque, sem formação, ela acredita que é ainda mais difícil conseguir um emprego em um “mercado de trabalho cada vez mais exigente.” “Isso, às vezes, dificulta bastante para quem tem pouca ou nenhuma experiência”, conclui.

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