Consumo cai, e comerciantes precisam se reinventar para sobreviver

Comércio foi um dos setores mais afetados pela pandemia, e, com aumento da inflação, vendedores procuraram soluções para manter os negócios

Não é segredo para ninguém que o comércio foi um dos setores mais afetados pela pandemia de Covid-19. Segundo o IBGE, em 2020, no auge da crise sanitária mundial, o negócio foi o mais prejudicado por conta da emergência de saúde. Muitos comerciantes, especialmente aqueles donos de estabelecimentos considerados não-essenciais, precisaram fechar as portas e demitir funcionários em função das medidas de restrição. 

Uma pesquisa elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelou que 75 mil estabelecimentos comerciais com vínculos empregatícios deixaram de operar no Brasil, em 2020. Somente em Belo Horizonte, aproximadamente 7.200 lojas da capital fecharam as portas na pandemia, segundo o Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte e região (Sindlojas-BH).

Após o período mais crítico da pandemia e com o avanço da vacinação contra a doença, as restrições se afrouxaram, e os comerciantes puderam retornar com suas atividades. Entretanto, em 2022, mais um baque: com aumento da inflação, o consumo dos brasileiros caiu consideravelmente. De acordo com a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), 90% dos brasileiros precisaram modificar seus hábitos de consumo em função da inflação no Brasil. 

A comerciante do Betânia Andrea Colen de Oliveira, de 56 anos, viu esses números refletirem em seus negócios. Ela, que tem uma loja de laticínios na praça da Amizade, conta que precisou deixar de vender diversos produtos em função da queda do consumo. “Eu vendia muitos produtos da roça que buscava no interior, mas tive que tirá-los. Agora, vendo mais mercadorias que compro por aqui”, pondera.

Reinvenção foi fundamental para sobrevivência

Diante de tantas dificuldades, para não fechar as portas de vez, o jeito foi se reinventar. Andrea conta que, logo no começo da pandemia, aderiu ao aplicativo Facily – plataforma de compras em grupo. “A loja se tornou um ponto de retirada: as pessoas compram pelo aplicativo e vêm buscar suas mercadorias aqui”, revela.

Foi durante a pandemia também que a costureira e artesã Vilma Martins, de 48 anos, precisou rever seus negócios para que não sucumbisse às restrições impostas pela crise sanitária. “Na pandemia, saí da zona de conforto. Eu migrei para este bairro para recomeçar”, comenta.

Ela conta que diversificou seus serviços para tentar atingir outros públicos. “Eu trabalhava somente com serviços de costura e de artesanato. Mas, então tive a ideia de vender móveis usados. A ideia era não ficar apenas com uma renda, e isso foi muito importante, pois consegui me manter”, diz. 

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